Após ter finalmente lido o “Inferno de Dante”, ou seja, a primeira parte da Divina Comédia de autoria de Dante Alighieri (1265-1321), obra que desde a minha adolescência eu almejava dissecar, mas que só agora senti-me completamente preparado para esta viagem pelo além túmulo do cristianismo medieval e, antes mesmo de penetrar no Purgátório, resolvi pesquisar na internet para melhor entender e visualizar a estrutura do inferno descrito pelo poeta.
Uma busca no site “google”, feita de maneira restrita ao idioma português, me deu a dimensão da grande importância do inferno dantesco, que é até desproporcional em relação aos outros dois livros da Divina Comédia, pois enquanto este livro listou 5.410 links, o Purgatório apenas 70 e o Paraíso 271 links para sites com textos ou citações sobre cada um destes capítulos respectivamente.
Em um destes milhares de sites da internet, em que há textos citando o “inferno de Dante”, fiquei sabendo que o físico, matemático e astrônomo italiano, Galileu Galilei (1564-1642), além de sua inúmeras descobertas e invenções, além de ser o primeiro a contestar a física de Aristóteles e de dedicar-se com destaque às letras como um escritor irônico e mordaz, também deu aulas sobre as dimensões e a forma do Inferno de Dante.
Era tudo o que eu precisava, um guia com a genialidade do Galileu para orientar a minha compreensão desta diabólica estrutura da penitenciaria da eternidade, assim como o próprio Dante precisou do romano poeta Virgílio para guiá-lo nesta jornada. Italiano como Galileu, Dante também foi injustamente condenado, sendo que com o agravante de ser forçado a viver no exílio, longe de sua terra natal Florença, até a sua morte.
Pesquisador das ciências exatas, Galileu é o mestre ideal para me instruir, enquanto Engenheiro de Minas que sou (que já estagiei em minas de carvão com galerias subterrâneas a mais de cem metros de profundidade, as quais em muito se assemelham a um inferno), sobre esta monumental mina subterrânea de almas humanas, distribuídas em diferentes jazidas, conforme a gravidade de suas penas, que é o Inferno de Dante.
Então vejamos o que nos diria o Mestre Galileu, com sua objetividade científica, não se apenas nos transportássemos para uma das suas aulas sobre o Inferno de Dante em plena Idade Média, ainda no período das trevas mantido a ferro e fogo em nome da Santa Inquisição contra o Renascimento que surgia com o Iluminismo apregoando a Modernidade; mas se fizéssemos melhor do que isto, se transportássemos o antigo cientista pelo túnel do tempo-espaço previsto pela Teoria da Relatividade de Einstein, para que ele ministrasse a sua aula situado no tempo atual, na loucura desta nossa pós-modernidade.